Dança do Ventre

Entrevista concedida à MARTA CAMÕES
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DANÇA DO VENTRE ELEVA AUTO-ESTIMA DA MULHER

A professora de dança, Talita Maia explica nesta entrevista exclusiva tudo que envolve a dança do ventre, sua história e seus benefícios.

  • É verdade que a dança do ventre deixa a mulher muito mais bonita e sensual?
    • Não necessariamente… Não gosto muito de falar em sensualidade no que diz respeito à dança do ventre, pois as pessoas já possuem seus respectivos imaginários rodeados de idéias distorcidas, então o que costumo dizer é que a dança do ventre proporciona com que a mulher tenha um contato mais íntimo e estreito com seu corpo conhecendo-o melhor e aprendendo a controlá-lo. Isso da muita segurança a essa mulher e com certeza eleva sua auto-estima e a torna mais assertiva.
  • O que você quis dizer com “as pessoas já possuem seus respectivos imaginários rodeados de idéias distorcidas’ ?
    • A maioria das mulheres vem me procurar esperando encontrar na minha aula dicas e receitas prontas de sedução. Esse não é nunca foi e nunca será o objetivo da minha aula e não deve ser o objetivo da aula de nenhuma professora, pois estamos lidando com uma dança que nasceu sagrada e ligada à religião. O que faz com que não só as mulheres que procuram a dança do ventre como as que não procuram e até mesmo os homens tenhas esse pensamento, são questões como, por exemplo, a passagem bíblica que diz que Salomé dançou para seduzir Erode e pedir a ele a cabeça de João Batista. Agora lhe pergunto: quem disse que ela dançou dança do ventre? E mesmo que tivesse dançado, é saudável usar uma dança que naquele período era considerada sagrada para um fim tão vil
  • Então você não incentiva a dança do ventre como meio de sedução?
    • Não. Incentivo a dança do ventre como uma modalidade de dança que como qualquer outra atividade corporal trás benefícios para as pessoas. Isso não quer dizer que eu sou contra uma aluna que dança eventualmente para seu marido, principalmente se ela faz isso como uma manifestação artística. O que não admiro são pessoas que se matriculam na dança do ventre com o objetivo principal de seduzir alguém ou achando que a dança vai segurar alguém em suas vidas… Admiro e aplaudo a mulher que se matricula para se conhecer e dançar para si mesma
  • Você falou mais de uma vez sobre a dança do ventre ser sagrada, conte-me mais sobre isso.
    • Como a dança do ventre é uma arte visual, seus registros físicos são poucos e em sua maioria o que se tem são relatos de caixeiros viajantes. O primeiro registro físico de que se tem relato é uma estatueta que data do ano II a.C encontrada no Egito. Segundo relatos a dança esteve em várias partes da África, Ásia e do Oriente Médio como um todo. Ela nasceu religiosa e após invasões e etc. se espalhou pelo mundo todo ganhando um caráter mais folclórico. Em algumas regiões ela foi sim instrumento de diversão, mas não se tem relato de prostituição.
  •   Mas as odaliscas não eram prostitutas?

    • Não! Eram meninas de todos os lugares do mundo, bonitas, saudáveis e com alguma peculiaridade artística ou cultural. Eram compradas em Mercado de Escravos e levadas para adornar a moradia dos sultões – que eram importantes figuras políticas da época. Elas eram as mulheres mais cultas naquele período, pois como ficavam muito tempo juntas e ociosas, acabavam por trocar seus conhecimentos. Nem todas eram concubinas do sultão, na maioria das vezes elas prestavam serviços referentes à seus conhecimentos. Por exemplo: cozinhar, recitar poemas, etc. Não necessariamente elas dançavam dança do ventre.
  •   Mas a dança hoje ainda é sagrada?
    • Historicamente não, mas nem por isso ela deve ser desrespeitada ou banalizada. A dança do ventre ritualística se perdeu através dos tempos, o que se tem hoje é a dança do ventre enquanto modalidade de dança, influenciada pelo ballet, pelo jazz, etc. com regras, metodologia específica, noções éticas, etc.
  • Ouvi dizer que a dança do ventre muda o tempo todo, é verdade?
    • E como é! Se você dançava muito bem a 1 ano atrás e está sem fazer aula a um ano já era! Precisará se atualizar! A dança do ventre virou um mercado muito dinâmico onde se ela não mudar ela para de vender e isso não é interessante porque ela gera muita renda: são griffes de roupas, lojas de instrumentos, cds, dvds, movimentos novos, estilos novos…é uma loucura!
  • E todo mundo de atualiza?
    • Infelizmente não. Vamos dizer que 70% das bailarinas do Brasil ainda estão paradas na década de 80.
  • A sua escola é considerada a melhor da região, isso tem haver com a sua atualização?
    • Com certeza. Atualizo-me diariamente e minhas alunas ficam sabendo de tudo quase que em tempo real. Elas amam porque quando vão para as capitais participarem de concursos ou fazerem cursos ou elas se sentem totalmente integradas com as alunas de lá ou em muitas vezes se sentem sabendo mais do que elas.
  • Mas esse não é o único diferencial da sua escola, não é?
    • Não, não é. Eu ensino maquiagem, produção, postura, ética, presença de palco, teoria, ritmo, enfim, tudo o que uma praticante crítica precisa saber. Se a aluna quiser deixar de ser praticante para ser bailarina profissional ou professora eu posso formá-la e encaminhá-la para cursos complementares nas capitais referentes ao seu estilo.
  • Quais seriam os destaques da sua escola esse ano?
    • Primeiramente eu mesma que sou uma das bailarinas que estão no calendário Oriental Oriente, Encanto e Magia 2009. Esse calendário é uma iniciativa de Shallimar Mattar do jornal paulistano Oriente, Encanto e Magia e trás todos os anos algumas das melhores bailarinas do Brasil. Eu sou a primeira bailarina do Sul do Estado a estar nele. Depois Nathália Cordier que foi a única carioca a se qualificar na categoria avançado do concurso Belle Fusco de São Paulo. Esse concurso fez seletivas em todos os estados. Também temos Nádia Cianelli que é a primeira bailarina do Interior do Estado a dançar o estilo Tribal Bellydance e Roberta Alves que é considerada uma das melhores bailarinas do Brasil no Estilo Flamenco Árabe.
      Reparou como gostamos de ser pioneiras? (Risos)

E quem quiser fazer aula com você?

  • Procure-me no Espaço Najma Dahabi (Rua Francisco Villaça, 66, sala 106 – centro. Perto da Parada do Milho) ou pelo Telefone            (24) 9812-8876 
  • No Espaço, além da dança do ventre temos o tribal bellydance com yes;”Nádia, Flamenco árabe e Afro com Roberta e ano que vem dança do ventre para crianças com Nahália. Lá você também encontra alongamento com Sabrina, Yoga com Adriana e Dança contemporânea com Daniela. Dúvidas pelo telefone        (24) 3355-4422 ) 
  • Foi muito bom falar com você, esclareceu muito… obrigada!!!
    • Disponha! Eu gosto quando tenho a oportunidade de esclarecer sobre a dança do ventre, ainda mais quando é com uma pessoa tão interessada como você!!!! Infelizmente nem todo mundo quer ouvir… só quer colher aquelas migalhas errôneas como benefícios, esquecendoque a dança bem feita, feita com ética e profissionalismo pode te dar o mundo.