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AO MESTRE COM CARINHO
Gente,
Em Resende onde tenho grande parte de minha família , ” os italianos” , vivi os anos dourados e iniciei a vida à dois que já dura 49 anos .
Sou cria do GENSA , lá me formei professora e obtive toda uma formação básica (caráter, dignidade) pelas mãos de meus antigos Mestres. Conheci e firmei amizades queridas, que perduram até hoje ..
Em Resende cultuo a união de minha família, o carinho de meus amigos, meus ex alunos do grande Grupo Escolar Olavo Bilac e o antigo ginásio Estadual, meus compadres que não são poucos e o berço que amparou meus dois filhos . Aí também eles nasceram, como nasceu o meu amor pela arte.
Juntamente com esta bagagem, carrego ainda hoje uma visão tão positiva dos exemplos que tive, pois estes fazem-me sentir uma fortaleza diante das perdas.
Assim… A Arte me acompanha e como diz o grande Gustave Flaubert …”De todas as mentiras, a arte é mais verdadeira. ” ( Maria do Carmo )
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Durante muito tempo, o tratamento que imperava para os portadores de transtornos mentais, os popularmente loucos, era através de internações em instituições fechadas, os chamados hospitais psiquiátricos. Inicialmente criados como prospota “terapêutica”, aos poucos se mostrou ineficaz devido ao tratamento desumano e segregador oferecido. Uma grande consequencia disso foi a exclusão social. Diante dessa realidade, surge um questionamento acerca do tratamento que até então estava sendo oferecido levando a busca de novas alternativas de cuidado e de um novo lugar social para pessoas com sofrimento mental. Assim, surge o Movimento de Reforma Psiquiátrica, no qual todos os segmentos da sociedade tem grande responsabilidade para sua concretização.
Em cada um de nós há um pouquinho de loucura, se não aceitarmos e ajudarmos aqueles que pensam de um modo peculiar, vamos estar excluindo esses pseudos ” loucos” ainda mais da sociedade!”
- Dizem que sou louco por pensar assim : Se eu sou muito louco por eu ser feliz Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz, eu sou feliz’ Entrevista com Carlos Estevão, um psiquiatra que é gente e entende aquelas pessoas que a sociedade de algum modo rejeita.
1- Qual é o “objeto” de intervenção da psiquiatria?
- Creio que podemos dizer que o objeto de intervenção desta ciência, que transita, ao menos em sua boa prática, pelas montanhas e rios da medicina, da psicologia, da antropologia, da sociologia e da filosofia, é a busca pela compreensão das diversas facetas da mente humana. Talvez seja uma espécie de caminhar junto. Percorremos a trajetória e suas vicissitudes de cada um que nos convida ao lugar de ajudá-lo em sua experiência de vida e morte cotidiana. 2- Durante muito tempo, para pessoas consideradas doentes mentais, a melhor indicação “terapêutica” era a internação em hospitais psiquiátricos. Como isso é visto hoje em dia? Existem outros dispositivos além dos hospitais psiquiátricos?
Gradativamente a lógica da exclusão concreta, a exclusão intra-muros vem desmoronando. Infelizmente isso ocorre na velocidade da miserável mesquinhez humana. O desafio, aos poucos, se desloca para o campo da exclusão extra-muros. Nós, disfarçados, diluídos no corpo social, seguimos hipocritamente nos negando a absorver o sofrimento psíquico como algo inerente a nossa condição de humanos. As diferenças continuam calando fundo em nossas almas e, consequentemente, sendo caladas por nós. Os novos dispositivos devem ser entendidos como todos e quaisquer caminhos que levem à inclusão, ao respeito e, quem sabe um dia, ao apaixonamento pelas diferentes formas de se estar no mundo…formas de se experimentar a condição do humano.
3- Estas internações em hospitais psiquiátricos ainda existem? Houve alguma mudança nessas instituições após as denúncias a elas direcionadas?
Sim, ainda existem….Ainda se faz necessário desconstituir muitos hospitais nos quatro cantos desse país… Penso que já é mais do que chegada a hora da sociedade se responsabilizar por essa imensa dívida social. Urge a desconstrução absoluta dessa forma aviltante, degradante, verdadeiramente monstruosa de exclusão da “vida”. Instituições como o Ministério Público, a Magistratura, a Defensoria Pública, o Poder Legislativo em suas esferas de representações federal, estaduais e municipais, os órgãos de imprensa e da a mídia, as diversas sociedades religiosas de nosso país, os Conselhos Federal e Estaduais de Medicina Psicologia, Enfermagem e Serviço Social, as mais diferentes formas da sociedade civil organizada, entre tantas outras esferas de poder e cidadania deveriam, verdadeiramente, se envergonhar de estarem constituídas em um país que mantém de pé o hospício em pleno século XXI.
Não se pode mais esconder as evidências de que após quase 40 anos de luta anti-manicomial a luta de usuários, familiares, trabalhadores de saúde mental e honrosos simpatizantes de diversos setores da sociedade não é suficiente para selar de vez a destituição do hospício enquanto loccus de tratamento daquele que sofre com as agruras da psicose.
Não tenho outras palavras: o sentimento das esferas de poder instituídos e aqui citadas e do próprio corpo social que democraticamente as legitima deveria ser de PROFUNDA VERGONHA……
4- Como a sociedade de uma forma geral pode ajudar pessoas com transtorno mentais?
Como disse, no auge de nosso atual estágio de desenvolvimento cultural, social, tecnológico e científico, o sentimento que devia bater em nosso peito é o de vergonha, muita vergonha, por não termos sido capazes de corrigirmos tamanha violência social. Afinal estamos falando do manicômio, instituição que se mantem de pé ao longo de três séculos, desde Philippe Pinel no Século XVIII. Vergonha esta calcada na incapacidade de mudarmos a realidade da absurda exclusão que norteia a experiência de vida das pessoas que sofrem com transtornos mentais graves e disruptivos. Pessoas que, por questões que a ciência médica já pode afirmar com absoluta certeza, sofrem com sintomas de uma doença que é alheia a sua capacidade de escolha. Há que se ressaltar, também, que tais doenças tornam as pessoas incapazes de se “comportar” de uma forma previsível ou adaptável àquilo que nós os ditos “normais” chamamos de vida socialmente aceitável apenas nos momentos de crises graves. Acredito que a responsabilidade de provocar a mudança definitiva e necessária para abatermos algo de nossa imensa dívida social recaia sobre atuação responsável e digna das instituições que citei anteriormente. Penso que algumas questões já se tornaram óbvias há muito. Tanto do ponto de vista da ciência médica, quanto da ciência histórico-filosófica-social, quanto da ciência jurídica, quanto do ponto de vista de qualquer fundamentação das diversas doutrinas religiosas me parece suficientemente evidente que o hospício é um daqueles instrumentos dos quais a humanidade deva se envergonhar de tê-lo constituído, consolidado e mantido por tantos séculos.
Essas instituições, com seus poderes constituídos, devem resgatar suas dívidas para com aquele que sofre com o transtorno mental grave imediatamente. Estamos falando de pessoas marginalizadas por serem diferentes. E, o que é pior, são diferentes porque sofrem de uma doença que é incurável. Falamos de sua única chance de serem verdadeiramente sujeitos de sua própria existência, de serem detentores do direito á experiência mais divina reservada à todos nós que é, em essência, a experiência de viver nossas vidas em intensa troca com o outro e a sociedade que criamos.
5- Como você vislumbra a ocorrência dessas mudanças?
- Não tenho dúvidas de que se houvesse um amplo debate em cada uma dessas instituições elas saberiam qual a sua parcela de responsabilidade. Portanto, chego à certeza de que a questão, por mais cruel e banal que possa parecer, é de inércia. Inércia que impede o debate que por sua vez levaria a conscientização da necessidade de cumprir um dever e, então, fundaria à base de um processo de resgate social.
Aqui tocamos as entranhas do conceito do instituto das tão necessárias Ações Afirmativas. Acredito mesmo que a questão em tela nos leva ao resgate de uma das maiores dívidas sociais da Humanidade: uma exclusão que talvez chegue próxima à dor impingida pela escravidão e, certamente, é tão degradante quanto a exclusão mercadológica das políticas econômicas que levaram a proliferação das desigualdades sociais, com a concentração de renda e a conseqüente ampliação dos rincões de miséria. É sinceramente nesse patamar que coloco a exclusão que impomos ao portador de transtornos mentais.
6- Qual o tratamento que a psiquiatria propõe hoje para pessoas com transtornos mentais?
Não só a Psiquiatria, mas a Psicologia, a Enfermagem, o Serviço Social e vários outros atores que labutam hoje no campo da saúde mental trabalham com o paradigma mais amplo, há décadas divulgado pela Organização Mundial de Saúde, do que seja o próprio conceito de saúde. Conceito que engloba bem estar físico, psíquico e social.
Tratamento para a dor da psicose hoje claramente se confunde com a noção ampla de cidadania. Trabalho, lazer, cultura, vida social, familiar, sexualidade, estudo e tantas outras coisinhas tão fundamentais ao espetáculo da vida seriam a essência do tratamento. Vida, que nesses casos devem ser apenas protegidas pelos intimistas da psicologia nas tão necessárias psicoterapias e pelos psiquiatras com o avanço da farmacologia ante as vicissitudes do cérebro. Enfim: tratamento? CIDADANIA.
7- O que é uma emergência psiquiátrica? Como a psiquiatria hoje lida com estas situações ?
A emergência no campo da saúde mental é caracterizada por um sofrimento disrruptivo, na maioria das vezes irrompendo de forma aguda, que coloca o sujeito diante de tamanha fragmentação de sua identidade que o não acolhimento imediato pode significar o fim de uma existência.
A Saúde Mental hoje possui dispositivos diversos em todos os campos de suas ciências para acolher o indivíduo em sofrimento agudo, ainda que emergencial, e devolver-lhe, em questão de poucos dias, o pedacinho de chão que lhe seja suficiente para seguir com seu tratamento diário, pelo menos aquele pedacinho de chão que hora lhe havia faltado de forma tão abrupta.
8-Se tais dispositivos de tratamento já são conhecidos, o que falta ?
Mais uma vez aqui, estamos falando de mobilização da sociedade e de suas instituições. Os dispositivos constituídos pelo saber acumulado pelas políticas públicas de saúde mental, pelas universidades, pelos trabalhadores deste vasto campo e as experiências das mais diversas culturas ocidentais e orientais já nos permitem dizer que falta priorizar ações, falta implementar, de forma sólida e não mais em experiências isoladas e pouco consistentes, políticas norteadas por saberes já há muito constituídos. Num mundo onde impera, ao menos nas nações mais desenvolvidas ou em franco processo de desenvolvimento, o espírito democrático, a quem responsabilizar por tamanha exclusão? Não há grandes culpados a serem condenados, a não ser todos nós. O atual estágio da Humanidade não permite que culpemos este ou aquele setor. Num rompante de responsabilização cidadã-democrática, me parece que a exclusão da doença mental seja, em última instancia, produto de nossa negligência cidadã, de nossa incapacidade de absorver o diferente.
Enfim se existem culpados somos todos nós que compomos o corpo social, ao menos no que tange aos países onde impera a ordem democratica jurídico legislativa e executiva. Uma simples questão de vergonha na cara, prioridade, equidade em sua mais pura essência e mãos à obra.
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Olá amigos !
Há quase quinze anos, o sul do estado do Rio recebe o “Boa-Noite” do jornalista Fabio Brunelli, editor-chefe e apresentador do telejornal RJTV. No mês passado, o âncora realizou mais um de seus sonhos: lançou pela editora Novo Século seu primeiro romance. Elas por Ele descreve, com bom humor, o universo feminino na visão de um homem. Na livraria Nobel, do Resende Shopping, a procura pelo livro tem sido tão grande que o romance ganhou até aquela plaquinha de “sucesso de vendas”. Nesta entrevista, que você vai ler a seguir, Fabio me falou de sua vida, seus desejos e o que o inspirou a escrever Elas por Ele.
O jornalista de sucesso a gente já conhece. Mas, vamos começar pela sua infância.
- Onde você nasceu?
- Nasci na capital paulista e tive uma infância tranquila. Adorava viver perto dos meus avós. Aos doze anos, vim morar em Resende depois que meu pai começou a trabalhar numa empresa na cidade. Fiz muitos amigos aqui na adolescência. E, certamente, a mudança para o interior me ofereceu mais qualidade de vida.
- Seu livro descreve vários cenários. O personagem fala de Nova Iorque, Buenos Aires, Salvador e muitas outras cidades. São locais onde você já esteve?
- Minhas viagens me ajudaram a construir os ambientes para os encontros amorosos do Leonardo, o personagem central. A ideia de incluir várias cidades na história também tornou o enredo mais interessante.
- Esse personagem também foi criado a partir de suas experiências de vida?
- O Leonardo tem muito de mim. Da mesma forma que Carolina, a musa que o inspira, tem muito das minhas ex-mulheres, amigas, namoradas.
- Sem revelar muito da história, posso dizer que os dois tentam viver um amor proibido. Isso aconteceu com você?
- Comigo e com todo mundo. Por vezes, nos deparamos com situações assim ao longo da vida. Carolina, por imposição da mãe, vai entrar para a vida religiosa. Leonardo tenta convencê-la a viver os prazeres do mundo. No entanto, em vez de ser freira, ela poderia ser casada, poderia ser bem mais jovem que ele ou outra questão qualquer que se mostrasse como um limite para a vivência dessa paixão.
- Já me disseram que vai levar um século para que se entenda a alma feminina. Você concorda com isso?
- Concordo. E minha intensão no livro não é entendê-la. O texto mostra como os homens veem as mulheres. Um mundo fascinante, complexo e misterioso.
- Seu romance fala também sobre relacionamentos virtuais. Você acha que o computador aproxima ou afasta as pessoas?
- Em certo ponto, essa tecnologia aproxima. Mas, jamais vai substituir o “olho-no-olho”, “a mão-na-mão”, a vida real é infinitamente mais rica que a virtual.
- Qual é a sensação de lançar um livro?
- Lançar o livro era um sonho antigo. Depois de ler muitos livros interessantes, queria ter a emoção de publicar o meu. Escolhi o estilo romance pelo desafio, pelo grau de dificuldade. Contar uma história longa e torná-la interessante, no meu ponto de vista, é bem mais difícil do que escrever uma série de contos ou poesias.
- Quais são seus sonhos no momento?
- Tenho um sonho ousado de transformar esse livro num filme. Um dia, quem sabe? Há muitos anos, percebi que podemos tornar real a maior parte de nosso desejos. Nem sempre, na velocidade que gostaríamos. Mas, com empenho e paciência, tudo é possível.
Obrigada Fábio . Você é uma pessoa especial . Muito sucesso e vamos torcer para que o sonho do filme logo aconteça e voce volte aqui para nos contar sobre ele.
Marta Camões
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Coloquei um título na página, um trecho de uma música de meu sobrinho , expressa tudo o que desejo alcançar!! ” Ainda me lembro quando era antigamente e eu plantava uma semente , em cada cantinho de flor” ( André Camões)
E nesse cantinho de flor, quero muitas sementes!
Marta Camoes








